Ped. Separar-te de mim!
Ign. ................. Atroz conflicto!.. Caro Principe, Esposo, não te esqueças Da desditosa Ignez... Mas ah! Que digo! Esquece-me se podes; sê ditoso; Vive, vive feliz. Eu só te rogo, Que dos queridos filhos te encarregues; Que affagues sua infancia, que os ampares; Que os defendas da inveja, da impiedade: Não cogites de mim, delles só cuida, He forçoso ceder ás leis do Fado: Longe de ti, mirrada de saudades, Vou exhalar meus ultimos suspiros.
Ped. Oh desesperação! Que idéa horrivel Surge dentro em minha alma! Acaso (eu tremo!) Atrever-se-ha meu Pai...
Ign. .................. Aos seus preceitos Obedecer devemos: intimados. Me forão já: de Portugal banida, Partir devo hoje mesmo para Hespanha.
Ped. Oh Furias! He possivel? Rei tyranno, Não levarás ávante os teus projectos... Nem elle, nem os Ceos, nem os Infernos Poderão arrancar-te de meus braços. Desengana-lo vou, parto a fallar-lhe: Trema o cruel de mim, se não revoga A barbara sentença.
Ign. ............. Oh Ceos! Que fazes?
Scena IV.
D. Pedro, Ignez, e D. Sancho.
Sanc. Teu Pai, Senhor, te busca: tudo prestes Para voltar á Corte... Mas que vejo! Elle mesmo he que vem.
Ped. ................ Querida Esposa, Retira-te, eu to rogo... Nada temas.