Ign. Eu me retiro, sim; mas só te imploro, Que te lembres que és filho, e que és vassallo.

Ped. Mas Esposo tambem, que he mais que tudo.

Scena V.

D. Affonso, D. Pedro, e D. Sancho.

Af. Então, quem nestes sitios te demora? Eia, segue-me já.

Ped. ........... Quem, eu!.. Seguir-te?.. Abandona-la! Não, não te obedeço.

Af. Que escuto, oh Ceos!

Ped. .................. Inda não disse tudo. Attende-me, Senhor: he necessario Declarar-me comtigo; o véo se rasgue; He tempo, he tempo em fim que me conheças. Entra em meu coração desesperado, De virtudes capaz, capaz de crimes, Se a crimes o excitar a tyrannia. Sabes que adoro Ignez, e projectavas Rouba-la ao meu amor? Que infernal furia Te aconselha a punir huma innocente, Que he só culpada, se a virtude he crime? E esperavas acaso que eu podesse Covarde tolerar seu menor damno, A injustiça maior, sem defende-la, Sem oppôr-me aos designios da impiedade? Eu fôra dos mortaes o mais abjecto, Se deixasse opprimir...

Af. .................. Ah! Não prosigas: Immudece, rebelde. Não sei como Reprimir posso a colera... Que arrojo!.. Ousas tu murmurar dos meus Decretos?..

Ped. Não só murmuro, atrevo-me a frustra-los. A razão, e os Ceos mesmos me authorisão. Defendendo a minha Esposa.