Af. ..................... A tua Esposa!..
Ped. A minha Esposa, sim. Sabe que os laços Do sagrado consorcio a Ignez me ligão. Intentarias pois inda opprimi-la?..
Af. Não julgues illudir-me, não te creio: A tão subtil ardil em vão recorres. Que! Esposa de meu filho huma vassalla!..
Ped. Huma vassalla, sim, para quem fôra Do Mundo todo o Imperio inda pequeno: Não duvides, Senhor. Que encontras nella Que indigna de teu filho julgar possas? Eu não quero fallar do Regio sangue, Que, dos teus ascendentes derivado, Lhe circula nas veias: outros dotes Mais bellos, mais sublimes a ennobrecem: Vassalla, a quem os Ceos prodigos derão Todas as perfeições que os Ceos dar podem, Para ser do teu filho digna Esposa, Ser filha de Monarchas não precisa. Se Ignez he virtuosa, que lhe falta? Quem mais digna do Throno que a Virtude! Mas dos seus predicados prescindamos. Castro he minha Consorte, tanto basta; He Princessa, por tal a reconhece, E o decoro lhe guarda de que he digna.
Af. Sim, tratada será como merece... Brevemente o verás.
Ped. ............. Olha o que fazes... Não queiras constranger-me inexoravel A perpetrar horriveis attentados: Se como Pai benigno, e Rei clemente Praticares comigo, has de em mim sempre Encontrar hum Vassallo respeitoso, E hum filho obediente; mas se acaso Insistes em roubar-me a cara Esposa, Hum mortal inimigo em mim contempla, Que cégo, furioso, e desesp'rado, Sem attender senão aos seus transportes, Será capaz de horrendos sacrilegios. Evitando-os, atalha huma injustiça: Revoga pois a barbara sentença.
Af. Sim, por outra mais justa, revogada (Descança.) ella vai ser. Espadanando Ha de ver teu coração da infame o sangue As chammas apagar que te devorão.
Ped.(21) Primeiro que o seu peito a ferir chegues, Hão de ser-me as entranhas arrancadas: Ha de em rios correr todo o meu sangue E o teu sangue tambem, se for preciso.
(21) Desesperado.
Af. Oh Ceos!.. Tremo de horror!..