Coel.(37) Que vejo! Ignez!.. He muito! Inda se atreve A vir apparecer-te?.. Ah, melhor fôra Retirar-te, Senhor, sem dar-lhe ouvidos.

(37) Avistando Ignez ainda fóra da Scena.

Af. Vamos, sim... Porém não, devo escuta-la.

Coel. Talvez os do Conselho já te esperem.

Af. Vai tu juntar-te a elles, que eu não tardo.

Scena III.

D. Affonso, Ignez, Elvira, e os meninos.

Ign. Chegai, filhos, chegai, vinde prostrar-vos Aos pés de vosso Avô; vinde beijar-lhe Pela primeira vez a Mão Augusta.(38) Eis, ó Senhor, os filhos de teu filho, Que vem com tristes lagrimas rogar-te, Que desta triste Mãi te compadeças. Chorai, chorai comigo, tristes filhos, Intercedei por mim com vosso pranto, Pranto mais expressivo do que as vozes, Que a vossa tenra infancia não permitte: Ajudai meus lamentos, minhas preces, Impetrai meu perdão. Sim, Rei clemente, Eis a Mãi desgraçada de teus Netos, Que abraçada com elles te supplica, Que a misérrima vida lhe conserves. Sei que vai decretar-se o meu supplicio! Alvo da intriga, victima da Inveja, Temerosa, infeliz, desamparada, A morte já diviso, a injusta morte, Que raivosos, tyrannos Conselheiros, Illudindo a piedade de tua alma, Fulminão contra mim... Que atrocidade!.. Porque enormes delictos sou punida?.. Amar, Senhor, teu filho, ser amada, Crime acaso será digno de morte? Imploro, ouso attestar tua justiça. Ah! Consulta, Senhor, tua clemencia, Teu coração consulta, que elle mesmo Te ha de dizer, que a morte nao mereço.

(38) Prostra-se com os meninos aos pés de Affonso, e Elvira se retira.

Af. Levanta-te, infeliz...(39) Oh Natureza!(40) Oh de hum Monarcha rigidos deveres!.. Levanta-te, infeliz.(41) Funesta origem Das crueis afflicções que me consternão... Ao ver-te me enfureço,... e me commovo... O Pai quer perdoar-te... o Rei não pode.