—Adeus! murmurou a moça afinal.

[XIII]

A casa nobre de Azevedo resplandecia. A melhor sociedade da côrte concorrêra ao sumptuoso baile.

Toda aristocracia, a belleza, o talento, a riqueza, a posição e até a decrepita fidalguia, estavam dignamente representadas nas ricas e vastas salas, adereçadas com luxo e elegancia; duas cousas que nem sempre se encontram reunidas.

Eram nove horas. Ainda o baile não começara; e notava-se na reunião a gravidade solemne, o grande ar de ceremonia, que serve de prologo ás festas esplendidas. Os cavalheiros percorriam lentamente as salas, observando o iris deslumbrante que formavam os lindos vestidos das senhoras; mas admirando especialmente as estrellas que brilhavam nessa via lactea.

Amelia acabava de sentar-se.

Horacio foi logo saudal-a, e comprimentou-a pelo bom gôsto e delicadeza de seu trajo.

Realmente não se podia imaginar um adorno mais gracioso. O vestido era de escomilha rubescente, formando regaços onde brilhavam aljofares de crystal: nos cabellos castanhos trazia uma grinalda de pequenos botões de rosa, borrifados de gôttas de orvalho.

Um poeta diria que a moça tinha cortado seu trajo das finas gazas da manhã; ou que a aurora vestindo as nevoas rosadas, descera do céo para disputar as admirações da noite.

—Dançaremos a primeira: disse Horacio.