—Umas das suas, e de que já sabes parte.
—E eu vou contar-te o resto! atalhou D. Lauriana, tocando com a mão o braço de sua filha.
E de facto apresentou com as côres mais negras, e com a emphase mais dramatica, não só o risco imminente que na sua opinião tinha corrido a casa inteira, mas os perigos que ameaçavão ainda a paz e o socego da familia.
Referio que, se por um milagre a sua caseira não tivesse ha cousa de uma hora chegado á esplanada e visto o indio fazendo partes diabolicas com o tigre ao qual naturalmente ensinava a maneira de penetrar na casa, todos áquella hora estarião defuntos.
Cecilia empallideceu, lembrando-se do descuido e alegria com que atravessára o valle e se banhára; Isabel conservou-se calma, mas seus olhos brilharão.
—Assim, concluio peremptoriamente D. Lauriana, não é concebivel que continuemos com semelhante praga em casa.
—Que dizeis, minha mãi? exclamou Cecilia assustada: pretendeis manda-lo embora?
—Sem duvida: essa casta de gente, que nem gente é, só póde viver bem nos mattos.
—Mas elle nos ama tanto! Tem feito tanto por nós não é verdade, meu pai? disse a menina voltando-se para o fidalgo:
D. Antonio respondeu a sua filha por um sorriso que a socegou: