Mas, querendo ouvir mais, não deu nem um pio.
Entretanto, disse o segundo cego, que era um rapazinho louro, o de olhos brancos:
—Eu não tenho piedade dos que fazem sofrer, mas dos que sofrem...
Ao que o terceiro cego, o do bastãozinho, acrescentou:
—Pois deverias lamenta-la, porque ela desconhece a mais bela cousa da terra, que é o fazer benefícios e espalhar bondade... É egoista e vaidosa, só louva o que lhe pertence; só gosta de quem a serve; não adora a Natureza, nem admira ninguem...
—O seu coração é mais seco que uma pedra ao sol ... disse um.
—A sua voz, que ordena sempre, desconhece a modulação doce do pedir ... continuou o outro.
—E as suas mãos o formoso gesto de acariciar!... concluiu o terceiro.
Hirta de espanto, a Princesa quedou-se ainda ali por algum tempo, até que numa rebentina furiosa voltou a galope para o Castelo.
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