[CAPITULO LXIII]
Taboleta nova
Referido o que lá fica atraz, Custodio confessou tudo o que perdia no titulo e na despeza, o mal que lhe trazia a conservação do nome da casa, a impossibilidade de achar outro, um abysmo, em summa. Não sabia que buscasse; faltava-lhe invenção e paz de espirito. Se pudesse, liquidava a confeitaria. E afinal que tinha elle com politica? Era um simples fabricante e vendedor de doces, estimado, afreguezado, respeitado, e principalmente respeitador da ordem publica...
—Mas o que é que ha? perguntou Ayres.
—A republica está proclamada.
—Já ha governo?
—Penso que já; mas diga-me V. Ex. ouviu alguem accusar-me jamais de attacar o governo? Ninguem. Entretanto... Uma fatalidade! Venha em meu soccorro, Excellentissimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A taboleta está prompta, o nome todo pintado.—«Confeitaria do Imperio», a tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de titulo, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? V. Ex. crê que, se ficar «Imperio,» venham quebrar-me as as vidraças?
—Isso não sei.
—Realmente, não ha motivo: é o nome da casa, nome de trinta annos. ninguem a conhece de outro modo...