[CAPITULO LXX]

De uma conclusão errada

Os successos vieram vindo, á medida que as flores iam nascendo. Destas houve que serviram ao ultimo baile do anno. Outras morreram na vespera. Poetas de um e outro regimen tiraram imagem do facto para cantarem a alegria e a melancolia do mundo. A differença é que a segunda abafava os seus suspiros, em quanto a primeira levava longe os seus tripudios. O metal das trompas dava outro som que o das harpas. As flores é que continuavam a nascer e morrer, egual e regularmente.

D. Claudia colheu as rosas do ultimo baile do anno, primeiro da Republica, e adornou a filha com ellas. Flora obedeceu e acceitou-as. Pae de familia antes de tudo, Baptista acompanhou a esposa e a filha ao baile. Tambem lá foi Paulo, pela moça e pelo regimen. Se, em conversa com o ex-presidente de provincia, disse todo o bem que pensava do Governo Provisorio, não lhe ouviu palavras de accordo nem de contestação. Não entrou mais fundo na confissão do homem, porque a moça o attraia, e elle gostava mais della que do pae.

Flora viu uma semelhança entre o baile da ilha Fiscal e este, apesar de particular e modesto. Este era dado por pessoa que vinha dos tempos da propaganda e um dos ministros lá esteve, ainda que só meia hora. Dahi a ausencia de Pedro, apesar de convidado. Flora sentiu a falta de Pedro, como sentira a de Paulo na ilha; tal era a semelhança das duas festas. Ambas traziam a ausencia de um gemeo.

—Porque é que seu irmão não veiu? perguntou ella.

Paulo enfiou; depois de alguns instantes:

—Pedro é teimoso, disse. Teimou em recusar o convite. Crê naturalmente que a monarchia levou a arte de dançar. Não faça caso; é um lunatico.

—Não diga isso.