—Ou dos trez, accrescentou outra veranista.

Iam de passeio á Quitandinha, a cavallo. Ayres acompanhava-os, e não dizia nada. Quando lhe perguntaram se Flora era bonita, respondeu que sim, e falou da temperatura. A primeira veranista perguntou-lhe se era capaz de supportar aquella situação. Ayres respirou, como quem vem de longe, e declarou que aos pés de um padre seria obrigado a mentir, taes eram os seus peccados; mas alli, na estrada, ao ar livre, entre senhoras, confessou que matara mais de um rival. Que se lembrasse trazia sete mortes ás costas, com varias armas. As senhoras riam; elle falava soturno. Só uma vez escapou de morrer primeiro, e inventou uma anecdota napolitana. Fez a apologia do punhal. Um que tivera, ha muitos annos, o melhor aço do mundo, foi obrigado a dal-o de presente a um bandido, seu amigo, quando lhe provou que completára na vespera o seu vigesimo nono assassinato.

—Aqui está para o trigesimo, disse-lhe entregando a arma.

Poucos dias depois soube que o bandido, com aquelle punhal, matara o marido de uma senhora, e depois a senhora, a quem amava sem ventura.

—Deixei-o com trinta e um crimes de primeira ordem.

As damas continuavam a rir; elle conseguiu assim desviar a conversação de Flora e seus namorados.


[CAPITULO XCIII]

Não ata nem desata

Emquanto indagavam della em Petropolis, a situação moral de Flora era a mesma,—o mesmo conflicto de affinidades, o mesmo equilibrio de preferencias. Cessado o conflicto, roto o equilibrio, a solução viria de prompto, e, por mais que doesse a um dos namorados, venceria o outro, a menos que interviesse o punhal da anecdota de Ayres.