Assim, ora nos beijavamos os dentes, ora ela me estendia os pés descalços para que lhos roesse—me soltava os cabelos; me dava a trincar o seu sexo maquilado, o seu ventre obsceno de tatuagens rôxas...

E só depois de tantos requintes de brasa, de tantos extases perdidos—sem forças para prolongarmos mais as nossas perversões—nos possuimos realmente.

Foi uma tarde triste, chuvosa e negra de fevereiro. Eram quatro horas. Eu sonhava dela quando, de subito, a encantadora surgiu na minha frente...

Tive um grito de surpresa. Marta porêm logo me fez calar com um beijo mordido...

Era a primeira vez que vinha a minha casa, e eu admirava-me, receoso da sua audacia. Mas não lho podia dizer: ela mordia-me sempre...

* * * * * * * *

Por fim os nossos corpos embaralharam-se, oscilaram perdidos numa ansia ruiva...

... E em verdade não fui eu que a possuí—ela, toda nua, ela sim, é que me possuiu...

* * * * * * * *

Á noite, como de costume, jantei em casa de Ricardo.