Ah! como eu sofria! como eu sofria!... Fôra buscar a prova evidente de que ela tinha outro amante... Louco que eu era em a ter ido procurar... Hoje, nem mesmo que quisesse, me poderia já iludir...

E como eu me enganara outróra pensando que não seria sensivel á traição carnal duma minha amante, que pouco me faria que ela pertencesse a outros...

Começou então a ultima tortura...

Num grande esforço baldado, procurei ainda olvidar-me do que descobrira—esconder a cabeça debaixo dos lençois como as crianças, com medo dos ladrões, nas noites de inverno.

Ao entrelaça-la, hoje, debatia-me em extases tão profundos, mordia-a tão sofregamente, que ela uma vez se me queixou.

Com efeito, sabe-la possuida por outro amante—se me fazia sofrer na alma, só me excitava, só me contorcia nos desejos...

Sim! sim!—laivos de roxidão!—aquele corpo esplendido, triunfal, dava-se a três homens—três machos se estiraçavam sobre êle, a polui-lo, a sugá-lo!... Três? Quem sabia se uma multidão?... E ao mesmo tempo que esta ideia me despedaçava, vinha-me um desejo perverso de que assim fosse...

Ao estrebucha-la agora, em verdade, era como se, em beijos monstruosos, eu possuisse tambem todos os corpos masculinos que resvalavam pelo seu. A minha ansia convertera-se em achar na sua carne uma mordedura, uma escoriação de amor, qualquer rastro doutro amante...

E um dia de triunfo, finalmente, descobri-lhe no seio esquerdo uma grande nodoa negra... Num impeto, numa furia, colei a minha boca a essa mancha—chupando-a, trincando-a, dilacerando-a...

Marta, porêm, não gritou. Era muito natural que gritasse com a minha violencia, pois a boca ficara-me até sabendo a sangue. Mas o certo é que não teve um queixume. Nem mesmo parecera notar essa caricia brutal...