Tomou-me por um braço, fez-me á viva força sentar junto dêle na terrasse do La Paix, e pôs-se a barafustar-me o espanto que a minha falta de noticias lhe causara, tanto mais que, poucos dias antes de desaparecer, eu lhe falara da minha nova peça. Disse-me que em Lisboa muita gente perguntava por mim, que apenas vagamente se sabia que eu estava em Paris por alguns portugueses que tinham vindo á Exposição. Em suma: «Que demonio era isso, homem? neurastenico pelo ultimo correio?...»

Como sucedia sempre quando alguem me fazia perguntas sobre a minha forma de viver, fiquei todo perturbado—corei e titubiei quaisquer razões.

O grande empresario atalhou, exclamando-me:

—Bom. Mas antes de mais nada, vamos ao importante: Dê-me a sua peça.

Que não a concluíra ainda, que não me satisfazia...

E êle:

—Espero-o esta noite no meu hotel ... ali, no Scribe... Traga-me a obra. Quero ouvi-la hoje... Que titulo?

A Chama.

—Optimo. Até logo... Primeira em abril. Ultima recita de assinatura. Preciso fechar a minha estação com chave de ouro...

Fôra-me muito desagradavel o encontro que viera pôr termo ao meu isolamento de ha seis mêses. Porem ao mesmo tempo, no fundo, a verdade é que eu não o lastimava. Sempre a literatura...