Ah! como Gervasio tinha razão, como eu no fundo abominava essa gente—os artistas. Isto é, os falsos artistas cuja obra se encerra nas suas atitudes; que falam petulantemente, que se mostram complicados de sentidos e apetites; artificiais, irritantes, intoleraveis. Emfim, que são os exploradores da arte apenas no que ela tem de falso e de exterior.

Mas, na minha incoerencia de espirito, logo me vinha outra ideia:—Ora, se os odiava, era só afinal por os invejar e não poder nem saber ser como êles...

Em todo o caso, mesmo abominando-os realmente, o certo é que me atraiam como um vicio pernicioso.

Durante uma semana—o que raro acontecia—estive sem ver Gervasio.

Ao fim dela, apareceu-me e contou-me:

—Sabe, tenho estreitado relações com a nossa americana. É na verdade uma criatura interessantissima. E muito artista... Aquelas duas pequenas são amantes dela. É uma grande safica.

—Não...

—Asseguro-lhe.

E não falámos mais da estrangeira.

Passou-se um mês. Eu já me esquecera da mulher fulva, quando uma noite o escultor me participou de subito: