Escutou-a, sem a interromper, com uma physionomia{113} que a cada detalhe dado pela accusadora se foi carregando até se tornar terrivel.

Se é verdade que nos pequenos como nos grandes acontecimentos, segundo a opinião dos Livros Eternos: «as iniquidades ferem quem as pratica, e que as más acções ficam com quem as faz» a invejosa estava sendo punida pela sua repugnante delação, por a propria attitude de Chalinhy.

Podia ver bem no seu rosto, n'aquelle momento, que não existia mais para elle.

O amante desappareceu para só existir o marido.

Não respondeu á supplica que Joanna lhe dirigiu, atemorisada pela sua propria obra.

Não lhe podia dizer se a despresava ou não. Só tinha no pensamento a mulher—a sua mulher!—indo a uma entrevista amorosa.

—«A infame!...» exclamou Chalinhy, repetindo «A infame!...» E dirigia-se á porta que conduzia aos aposentos de Valentina, quando Joanna se lhe collocou deante, dizendo:

—«Onde vaes?»

—«Ao seu quarto,» respondeu elle. «Obriga-la a confessar».

—«Não farás semelhante cousa. Se lhe fallas agora, comprehenderá que tudo soubeste por mim. Não farás isso, não tens mesmo o direito de o fazer...»