De vez em quando, ouvia-se um confuso,
Surdo rolar de rochas que desciam
Dos outeiros ás margens dos regatos;
Iam matar a sêde secular
Que lhes ficou dos tempos em que fôram
Raios de estrela florescendo a Lua.
E vinham na asa múrmura da aragem
Bater de palmas, risos de cristal,
Rasgando agudas fendas no Silencio.
Eram Bruxas malditas, pobres Ninfas,
Amantes do Demonio em vez de Pan;
Amam a noite triste e os êrmos sitios…
Trocaram seu antigo amor divino
Pela ironia escura e demoniaca;
E as florestas sagradas e o sol claro
Pelos bócos profundos, pela noite,
Pelos silvaes espêssos e aguas êrmas
Que a sombra torna lividas e mortas,
E onde as cousas nocturnas se reflectem
Desmaterialisadas, redusidas
Ao seu simples e animico esqueleto…
E outras Bruxas, em bandos luarentos,
Passavam, no ar, dançando em turbilhão
Com alados Demonios coruscantes…
E o Mêdo, avô remoto de Phantasmas,
Sombra ancestral de Deus e da Piedade,
Condensava o luar em frias lagrimas,
Marmorisava os fluidos Longes vagos…
As Figuras da Noite, as Creaturas
Do nosso Pensamento, despertavam
Mal ouviam trotar a Morte… E a lámina
Da sua Fouce ia, em curva, pelo céu
De horisonte a horisonte; e a sua túnica
Parecia manchar toda a Paisagem…
Subito, a Morte soffreou as redeas
Do Cavalo-Phantasma em que montava,
Estacando no meio do planalto.
E a sua sombra morta se tornou
Imovel, negra sobre a terra branca
E sonora e marmorea do caminho.
Surgira, d'improviso, um vulto humano
Ante o vulto chimerico e fatidico
Da Amazona da Noite que escondêra,
Na tunica de outomno e de crepusculo,
O rôsto de caveira, onde o luar
Batia, como sobre um frio marmore.
E antes que ela falásse, aquele Vulto
Soltou no ar sombrio, uma risada;
E o Echo, estremunhando, repetiu-a,
E foi, de vale em vale, desfazer-se,
Cinza de som, na cinza da Distancia.
E ela, irada, agitando a relusente
Fouce cruel, gritou: "Quem és? Quem és?
Mas quem se atreve assim a rir da Morte?"
"—Eu—este doido espirito que ri…