"Um riso todo feito de silencio…"

"—Um dia, os teus ouvidos hão de ouvi-lo;
E verás a alegria que ele espalha
Nas almas, já libertas, a voar…"

"—Eu conheço o teu riso; nos meus labios
É apenas um sorriso; vem de longe;
Perde o vigor ardente no caminho…
O sorriso dos labios não é mais
Que um palido luar, um arremêdo
Do grande riso eterno da caveira.

"Mas eu amo outro riso,—o que desperta
As almas, os espiritos da Noite:
O que trespassa a treva de esplendor,
E se ouve no infinito e é luz de estrela."

E, de novo, o silencio se interpôz
Entre a Morte divina e o Sêr humano.

Vinham dos pinheiraes sussurros vagos,
Prêsos na asa da aragem… orações
Que as cousas êrmas rezam à Saudade:
Virgem do Novo Crédo amanhecente,
Em seu altar de lagrimas e risos,
Erigido no Templo da noss'Alma,
E no Templo mais vasto da Natura
De arboriformes naves verdejantes.

Apparições dos êrmos ao luar,
Perfis occultos de Almas já sem corpo,
Almas ainda sonhando a Forma viva;
As figuras da Noite rodeavam
A Morte e o seu Cavalo, egual áqueles
Que sentiram, outrora, as mãos de Apolo.

Tudo era sonho e vida em tôrno á Morte.

E eis que ela exclama então: "Dize o meu nome;
Dize o meu nome, vá, se me conheces…"

E responde o nocturno Viandante: