Porque te saque del agua?
«Doyte todos mis navios
Cargados de ouro y de plata.
—Yo no quiero tus navios
Ni tu oro, ni tu plata,
Quiero que quando tu mueras
A mi me entregues el alma.
«El alma entrego á Dios
Y el cuerpo á la mar salado.
Os naufragios frequentes dos galeões da India acharam Uma forma livre, espontanea, para revelar a extensão do sentimento nos cantos do genio popular. A Nau Catherineta é uma epopea moderna e por isso incompleta, porque o tempo não deu logar a accumularem-se os episodios, nem dependerem mutuamente as Variantes. A sua formação descobre-se na diversidade de versões que ella tem. A Estremadura, o Minho, o Algarve, Lisboa, Beira-Baixa e Ribatejo, trabalham sobre a mesma lenda. Mais tarde a variante tornava-se episodio, prendia-se á unidade do poema. A imagem do diabo, que mostra as meninas debaixo do laranjal, é de origem puramente christã. O gageiro que sobe ao mando do capitão, sobre quem cahiu a sorte para ser devorado, e que promette o grau de cavalleiro, sua filha, o seu navio, se lhe avistar terras de Portugal, é uma das mil personificações do diabo. Elle produz a cerração que esconde a praia. O mar, segundo as crenças christãs vindas do paganismo, era a mansão do diabo. Typhon, o principio do mal, a quem o mar fora consagrado,[12] transforma-se depois no diabo da mythologia christã.[13] O espirito supersticioso, a ignorancia das leis naturaes ainda não vulgarisadas na edade media, estão representadas no gageiro que suscita a tormenta. Era a crença da egreja. Na vida de Guibert de Nogent, na Summa, de S. Thomaz e no livro de Alberto Magno De potentia Daemonum apparece este pensamento que vêmos determinado na poesia popular portugueza. Na Divina Comedia e na Jerusalem Libertada, os ventos são tambem attribuidos ao diabo.