Depois, ergueu os olhos para os céus, e exclamou:
—Cumpra-se tudo quanto Deus Nosso Senhor Jesus-Christo houver determinado!... Se o medico me desenganar, não quero que a minha gente fique toda ... marcada... Irei para S. Paulo...
Pereira cortou este doloroso dialogo:
—Está bem, patricio Garcia, disse, vou já mandar-lhe o homem ... espere um pouco...
E, entrando, reiterou o pedido a Cyrino, que se demorara a receitar a Coelho umas beberagens de velame e pés de perdiz, plantas muito abundantes naquellas paragens, de grandes virtudes diureticas e que deveriam ser empregadas um mez depois da applicação do leite de jaracatiá.
—Ande, doutor, instou Pereira, vá lá fóra ver o coitado do outro e despache-me depressa. Estou todo enfernizado por vel-o no meu terreiro.
Cyrino sahiu então e, caminhando com lentidão, parou a alguns passos do malaventurado Garcia, cujo rosto repentinamente se contrahiu emquanto tirava o chapéo com submissão e receio.
Vinha então a tarde descendo, e a luz do crepusculo irradiava por toda a parte, tão melancolica e suave que, sem saber por que, a alma de Cyrino de repente se confrangeu.
Com assombro o encarava o lazaro. Deante delle se erguera quem lhe ia apontar o caminho da eterna proscripção. Dos seus labios ia cahir a sentença ultima, irremediavel, fatal!
Quanta angustia no olhar daquelle homem! Que pensamentos sinistros! Quanta dor!