Tambem ficara alli attonito, boquiaberto, á espera que a palavra de Cyrino lhe quebrasse o horroroso enleio.

—Então, disse este depois de breve pausa, que me quer o senhor?

—Doutor, balbuciou Garcia ... primeiro que tudo quero ... pagar-lhe; ... trouxe algum ... dinheiro ... mas, talvez ... seja ... pouco.

Interrompeu-o Cyrino:

—Não recebo dinheiro para tratar ... da sua molestia.

—Quer isto dizer, replicou com acabrunhamento Garcia, que ella não tem cura... Eu bem sabia, mas ... é tão duro ouvir sempre isso!... Olhe, o meu mal é de pouco ... está em principio. Quem sabe ... se o Sr. não conhecerá alguma herva?...

—Infelizmente, respondeu Cyrino, nem eu, nem ninguem conhece essa planta...

—Emfim!

E Garcia, fechando os olhos como que para concentrar as forças, continuou:

—Ah! doutor, eu sou um pobre homem ... velho já cansado... Porque não me veio a morte em lugar desta podridão que me está comendo as carnes?... Muito tempo a senti dentro de mim... Disfarcei, disfarcei, até ao dia em que minha neta ... a filha do meu coração ... a Jacyntha ... ella mesma, mostrou certo receio de me abraçar... Ah! senhor, quanto se soffre nesta vida!