—Veja, Cyrino, como tenho o rosto em braza... Porque é que mecê veio bulir commigo?... Eu era uma moça socegada ... agora, se mecê não gostasse mais de mim ... eu morria...

—Deveras?

—Eu lhe juro... É mais facil apagarem-se de repente estas estrellas todas, do que eu deixar de amal-a...

—E Manecão? perguntou ella com terror.

—Oh! esse homem, sempre esse nome maldito!...

—Hade ser meu marido...

—Isso nunca, Innocencia... É impossivel!... E se fugissemos?... Olhe amanhã a estas mesmas horas ou mais cedo, trago para aqui dois bons animaes... Você monta num, eu noutro ... batemos para Sant'Anna e, a galope sempre, havemos de chegar a Uberaba ... onde acharemos um padre que nos case... Vamos, ouviu?

—E mecê havia de me estimar toda a vida?

—Sempre... Diga, sim ... diga pelo amor de Deus, e estamos salvos ... diga!...

—E meu pae, Cyrino? Que havéra de ser?... Atirava-me a maldição ... eu ficava perdida ... uma mulher de má vida ... sem a benção de seu pae... Não ... mecê está me tentando... Não quero fugir... Antes a desgraça para toda a existencia ... mas fique eu sendo o que meu nome diz que sou... Já muito pecco, fazendo o que faço... Mecê é moço da cidade: não lhe custa enganar uma creatura como eu... Até...