—Minha Nossa Senhora mãe da Virgem que nunca peccou, ide deante de Deus. Pedi-lhe que tenha pena de mim ... que não me deixe assim nesta dor cá de dentro tão cruel. Estendei a vossa mão sobre mim. Se é crime amar a Cyrino, mandai-me a morte. Que culpa tenho eu do que me succede? Rezei tanto, para não gostar deste homem! Tudo ... tudo ... foi inutil! Porque então este supplicio do todos os momentos? Nem sequer tem allivio no somno? Sempre elle ... elle!
Ás vezes, sentia Innocencia em si impetos de resistencia: era a natureza do pae que acordava, natureza forte, teimosa.
—Hei de ir, dizia então com olhos a chamejar, á igreja, mas de rastos! No rosto do padre; gritarei: Não, não!... Matem-me... mas eu não quero...
Quando a lembrança de Cyrino se lhe apresentava mais viva, estorcia-se de desespero. A paixão punha-lhe o peito em fogo...
—Que é isto, Santo Deus? Aquelle homem me teria botado um mau olhado? Cyrino, Cyrino volta, vem tomar-me ... leva-me! ... eu morro! Sou tua, só tua ... de mais ninguem.
E cahia prostrada no leito, sacudida por arrepios nervosos.
Um dia, entrou inesperadamente Pereira e achou-a toda lacrymosa.
Vinha sereno, mas com ar decidido.
—Que tem você, menina, perguntou elle, meio terno, de alguns dias para cá?
Innocencia encolheu-se toda como uma pombinha que se sente agarrar.